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28 de outubro de 2017

Jornal Nacional: Seca no Rio São Francisco provoca pressão alta em moradores de um Povoado em Piaçabuçu-AL




Por causa da vazão mais baixa da história, marés levam água do mar para o rio. Grande quantidade de sal na água do rio afeta saúde de ribeirinhos.

O Nordeste brasileiro, um pequeno vilarejo no litoral de Alagoas se transformou no símbolo dos efeitos da seca na saúde da população.

O posto de saúde está sempre cheio, e de cada dez pacientes, oito sofrem de hipertensão.
“Eu mesmo passo tão mal, que de vez em quando eu estou na emergência, com a pressão muito alta”, disse a pescadora Joélia de Souza Santos.

Dona Lindinalva, mãe de Joélia, adoecia pouco. Mas, há três anos, a pressão começou a subir demais.

“É uma doença que é perigosa, né? Para matar um é num instante “, contou a aposentada Lindinalva de Souza Santos.

Um mal que assusta os moradores do povoado Potengy, em Piaçabuçu, onde vivem cerca de 900 pessoas. Em nove anos, o número de moradores, e a proporção de pessoas mais velhas, ficaram estáveis, mas a quantidade de hipertensos no povoado saltou de apenas 54 para 104.

Os médicos que atendem a população daqui não têm dúvida. A grande quantidade de sal na água está fazendo aumentar os casos de hipertensão. É pressão alta por causa da seca do rio São Francisco.

O rio perdeu a correnteza em direção ao mar, por causa da vazão mais baixa da história. Nas represas de Sobradinho, na Bahia, e Xingó, entre Sergipe e Alagoas, a vazão atual é de 550 metros cúbicos por segundo.

A cada seis meses, pesquisadores da Universidade Federal de Alagoas fazem uma medição da quantidade de sal no São Francisco. E o último resultado é preocupante.

“Próximo ao Potengy, no fundo, chegou a quase 27 gramas por litro.  Ou seja, o limite tolerado de salinidade é no máximo meia grama por litro”, explicou o oceanógrafo da Ufal Paulo Petter Medeiros.

A água que abastece o povoado é puxada do rio para duas caixas e segue para as casas sem passar por tratamento. Por isso, quem usa água para beber e para cozinhar consome uma quantidade muito grande de sal.


Por causa da pressão alta, a estudante Cristiane dos Santos, de 16 anos, quase teve complicações sérias no parto de Gabriel.

“Eu não sabia que por causa da água podia morrer, eu e meu bebê”, contou.

O médico Diego Calumby também desabafa: “A gente pede para ter o controle do sal, mas a água que eles vêm usando é uma água salgada. Água para cozinhar, muitas vezes para beber, para fazer o próprio café, certo? Então, assim, vem sendo cada vez mais difícil controlar a pressão da população.”

A Secretaria de Saúde de Piaçabuçu disse que os hipertensos estão sendo orientados em relação ao consumo da água e da alimentação e que fornece hipoclorito de sódio para tratar a água. Sobre o problema no abastecimento, a prefeitura informou que pediu apoio à Companhia de Saneamento de Alagoas e ao Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio São Francisco. Um reservatório maior vai ser construído nessa região.


Por G1-SE
27/10/2017

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