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22 de outubro de 2011

Vídeo pornográfico causa alvoroço no Interior



A população de Aquidabã está chocada com um vídeo que vem circulando há cerca de três semanas na cidade, causando burburinho e muita indignação. O motivo é o conteúdo impróprio da filmagem, que mostra cerca de cinco minutos de sexo explícito entre um adolescente e seu padrasto, que, segundo comentários, mantêm um caso amoroso há algum tempo. Os moradores que tiveram acesso ao filme pornográfico reconheceram os envolvidos e confirmam se tratar de um cidadão influente, da área da educação e que é fiel da Igreja Católica.

De celular em celular, a pornografia espalhou-se com a rapidez de um vírus medonho. Apesar de estar mais do que escancarado e ser motivo de repulsa, o assunto é tratado de forma velada. As pessoas têm vergonha de dizer que viram o vídeo, que é ilegal, pois expõe a imagem de um adolescente em situação de pornografia. Por causa disso, nesta matéria, algumas identidades foram preservadas, evitando a exposição ainda maior, sobretudo, do garoto.

Segundo alguns moradores, o rapaz costuma ser visto com roupas caras e, recentemente, teria ganhado um carro do padrasto. "Na verdade, há algum tempo já rola o comentário de que eles têm um caso. O menino foi sempre o queridinho entre os filhos", afirma um funcionário público que também prefere não se identificar. "Vai saber há quanto isso acontece, pois o menino convive com esse cara desde os sete anos", acrescenta.

Um pai de família, que tem quatro filhos jovens, afirma que o caso só não foi parar na delegacia porque o envolvido é influente e tem dinheiro. "É uma vergonha! As pessoas evitam se pronunciar publicamente com medo de represálias. Mas perceber que o dinheiro é capaz de calar dentro da própria família é o fim", lamenta. Um motorista de Van, que aguardava os passageiros no ponto, assegura que há dias o assunto predomina nas viagens. "Essa pouca vergonha chegou até nos povoados por aqui", informa.

No centro da cidade, um casal relatou que a filha de 12 anos chegou com uma "conversa estranha" da escola, e eles foram procurar saber do que se tratava. "É nojento demais. Como alguém que se diz pai e que vive na igreja foi capaz de fazer uma coisa dessas?", indaga a mulher. Segundo o casal, eles ficaram totalmente sem jeito para conversar sobre o assunto com a filha. O material chegou aos estudantes, sem dificuldade alguma, e o assunto repercutiu até mesmo nas séries infantis.

Durante a visita à cidade, a equipe de reportagem do Cinform presenciou a passagem de uma aluna do ensino fundamental da rede estadual, de dez anos, pela sala da direção. "A estudante brigou com um coleguinha, pois se sentiu ofendida quando ele perguntou se ela tinha o vídeo no celular dela", explica a professora, que também prefere ficar no anonimato. A educadora diz que o assunto tem repercutido nos corredores das escolas, mas os professores evitam reverberar ainda mais o caso tão delicado.

DEBAIXO DA PORTA

Depois de muito circular, o vídeo foi parar na porta do Conselho Tutelar da cidade. A equipe encontrou um DVD com recado anônimo que foram deixados por baixo da porta do órgão. "Assim que tomamos conhecimento, intimamos a mãe e o filho que conversaram com os conselheiros na presença da psicóloga que nos acompanha", relata o conselheiro Elisânio Santa Rita. O caso foi encaminhado para o Ministério Público, que realizou audiência com o enteado, o padrasto, a mãe e outros familiares, na última quinta-feira, dia 13.

O promotor Henrique Cardoso relata que a primeira preocupação foi verificar quando tudo começou, já que o adolescente mora com o padrasto, a mãe e os demais irmãos há dez anos. Quanto à veracidade do vídeo, ele assegura que o material não foi montado, conforme foram feitas especulações. "A filmagem foi feita há mais de um ano, quando o rapaz tinha 16. Pelas alterações recentes do código, crime de sedução é aplicado a adolescentes até os 18. Para os meninos, é considerado crime se envolver menor de 14 anos", afirma. Portanto, não houve crime.

A maioria dos entrevistados que assistiram ao vídeo destaca que a filmagem parece ter sido feita com o consentimento de pelo menos um dos dois. Com o extravio do cartão de memória do celular de um deles, o vídeo teria caído em mãos erradas e foi divulgado em massa. "Agora, o Ministério Público investiga a autoria da divulgação e todas as circunstâncias que a envolvem", relata o promotor. Ele enfatiza que, neste caso, o crime consiste justamente na propagação de conteúdo pornográfico que expõe o adolescente. A investigação corre sob segredo de Justiça.

O Cinform conseguiu ouvir o padrasto por telefone. Ele diz não ter conhecimento de filme algum e prefere não se manifestar para resguardar a família. Com relação aos comentários que circulam na cidade, ele afirma que não passam de calúnias. "Eu e minha família somos as maiores vítimas dessa história toda", pronuncia. No entanto, não é isso que as imagens do vídeo mostram. Agora, com essa divulgação por toda a cidade, vai ser difícil negar o fato, que ainda deve gerar muitos transtornos para os envolvidos.

Foto: Ana Lícia Menezes/Cinform
Fonte:Cinform

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