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21 de maio de 2012

Barro é transformado em arte em Santana do São Francisco, em SE

70% da população trabalha com a arte repassada para várias gerações.
Cidade às margens do ‘Velho Chico’ também quer explorar o turismo.

Marina Fontenele
  Do G1 SE
Peças são cheias de detalhes que imitam a expressão humana (Foto: Marina Fontenele/G1 SE) 
Peças são cheias de detalhes que imitam a expressão humana (Foto: Marina Fontenele/G1 SE)

O município de Santana de São Francisco, em Sergipe, localizado a 132 quilômetros da capital, tem uma riqueza artesanal ainda desconhecida por muitos, mas já descoberta por comerciantes de Alagoas, Bahia e São Paulo que compram as peças em barro para revender. A atividade emprega 70% da mão-de-obra da cidade que tem cerca de sete mil habitantes.
A arte de dar forma ao barro é uma tradição repassa
da para as novas gerações. No Centro de Artesanato do município é possível encontrar peças feitas por crianças até de idosos como as produzidas por Claudionor Catarino dos Santos, Seu Nonô, um dos artesãos mais antigos da cidade. Ele tem 81 anos e há 60 fabrica moringas (espécie de garrafa de água).
“Eu cheguei a fazer 200 moringas por dia para sustentar minha família e isso sem o motor, hoje em dia é muito mais fácil. Naquela época nosso trabalho era muito desvalorizado”, recorda. Dois filhos do seu Nonô seguiram a profissão do pai e também fabricam moringas.
A cidade pequena e tranquila esconde verdadeiras obras de artes que são reveladas a cada ateliê. O trabalho cuidadoso feito à mão virou o patrimônio de Santana do São Francisco e pode ser acompanhado de perto pelos visitantes. A facilidade com que os ceramistas moldam a matéria-prima retirada do solo às margens do Rio São Francisco impressiona.
Artesão produz itens em miniatura em menos de cinco minutos (Foto: Flávio Antunes/G1 SE) 
Artesão produz itens em miniatura em menos de
cinco minutos (Foto: Flávio Antunes/G1 SE)
Arte de viver

Wilson de Carvalho, Capilé, começou a trabalhar aos 14 anos como candango (ajudante de artesão). Ele produz as peças por encomenda através do telefone (79)3339-1057. O ceramista começou fazendo moringas, mas o desejo de fazer itens mais elaborados o levou a experimentar novas formas.
“A determinação e a vontade de querer algo mais, além do que todo mundo faz me motivou a tentar várias vezes até conseguir. Eu ficava até tarde tentando, errando, desmanchando e fazendo de novo até dá certo”, lembra Capilé. Ele produz peças de animais e de pessoas em tamanho real que custam até R$ 7 mil.
O busto de uma namoradeira, peça colocada nas janelas das residências, leva um dia para ser feita, dois para secar e mais oito horas para cozinhar a cerâmica no forno a cerca de 650° C. As peças são todas ocas e com furinhos para facilitar a evaporação de resíduos líquidos e evitar que a peça quebre durante o cozimento. Só depois desse processo é que elas são pintadas e decoradas.
Mariza dos Santos modela a argila há 30 anos (Foto: Flávio Antunes/G1 SE) 
Mariza dos Santos mostra a decoração diferenciada
nas peças de argila (Foto: Marina Fontenele/G1 SE)
Comércio
A artesã Mariza dos Santos molda, pinta e comercializa as peças de cerâmica há 30 anos. “O turista pode comprar um presente de R$ 1 feito ou produtos de até R$ 30”.
O artesão José Soares de Melo, conhecido como Juca, também está no ramo há mais de 30 anos. Ele é especialista em fazer figuras nordestinas como os cangaceiros, trio de pé-de-serra e casal de dançarinos de forró. “Escolhi esses modelos porque têm muita saída, os turistas procuram artesanatos que lembram o Nordeste”, explica.
A produção diária dele é de 20 cangaceiros que custam R$ 20 o grande, R$ 12 o médio e R$ 8 o pequeno. Esses valores são de fabricação, os itens chegam a ser vendidos para o consumidor final por pelo menos o dobro preço. Juca e outros 12 artesãos trabalham no Ateliê Cerâmica Lamujo localizado na Praça João da Silva Barroso, 230. O telefone para encomendas é (79)9945-6908.
Wagner Rogério é do município de Joaquim Gomes, em Alagoas, ele visitou o Centro de Artesanato de Santana do São Francisco e comprou mais de R$ 1 mil em jarros de barro para revender na feira do município e em lojas de Maceió.
Parte da população ainda vive da pesca no Rio São Francisco (Foto: Marina Fontenele/G1 SE) 
Parte da população ainda vive da pesca no Rio São
Francisco (Foto: Marina Fontenele/G1 SE)
Turismo

A prainha do Povoado Saúde, a seis quilômetros da sede do município, atrai a população das regiões vizinhas que nos domingos e feriados entre os meses de novembro e fevereiro chegam a somar cerca de 120 ônibus. Nos dias menos movimentados a visitação média é de cinco ônibus, ou seja, cerca de 200 pessoas.
A prefeitura tem um projeto de criação de uma orla com quiosques, estacionamento, píer, vila do artesão onde eles poderão morar e produzir seu sustento através do artesanato, além de um espaço para a comercialização desses itens.
As plantações de eucalipto para fornecer lenha ecologicamente correta e uma escola técnica em artesanato também fazem parte do projeto que tem como objetivo fortalecer essa tradição e gerar renda para os moradores de Santana de São Francisco, além de estimular o turismo na região.
 

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