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22 de setembro de 2018

Jovens se unem em ações ambientais e limpam praias da capital sergipana

Neste sábado (22), o 'Movimento Praia Limpa' também vai tratar da extinção dos canudos plásticos nos bares e restaurantes da Orla de Aracaju.

Jovens do 'Movimento Praia Limpa' em Aracaju — Foto: Movimento Praia Limpa

Ao longo dos 30km de litoral, Aracaju reserva praias de águas mornas como a da Cinelândia, reduto de surfistas, e uma das mais procuradas pelos banhistas nos finais de semana. Ela está localizada na extensão da Orla da Atalaia, local onde surgiu há cerca de um mês o ‘Movimento Praia Limpa’.

A tecnóloga em radiologia, Lara Oliveira, é a fundadora do movimento. Foi durante uma tarde de lazer, numa segunda-feira, que ela observou o quanto as pessoas tratavam o espaço com desprezo, deixando lixo por todos os lados.

“É muito desconfortável estar em um lugar lindo e ter quer sentar na sujeira. Foi quando me perguntei o porquê de não fazer alguma coisa pra mudar o cenário”, lembra.

A ideia foi exposta em uma rede social e recebeu o apoio de dezenas de jovens. A primeira ação do grupo ocorreu no início deste mês na Praia da Cinelândia, quando foram recolhidos 20 sacos de lixo num trabalho que envolveu cerca de 40 pessoas. Piteiras de cigarros e garrafas pet foram os materiais encontrados em maior quantidade.

“As pessoas que estavam na praia nos observavam, davam os parabéns pela iniciativa e também ajudavam a limpar a área. A ideia era justamente isso, impactar e provocar o envolvimento de quem frequenta as praias da capital”, afirma.

Alguns dos sacos de lixo retirados da Praia da Cinelândia — Foto: Movimento Praia Limpa

Enquanto os voluntários trabalhavam, os garis que atuam na área informaram ao grupo que todas as segundas-feiras a quantidade de lixo deixada pelos banhistas, que passam pelo local durante o final de semana, é grande.

“Além de fazer a limpeza das praias, o ‘Movimento Praia Limpa’ quer conscientizar os banhistas a não descartarem lixo nestes locais. E que no final do lazer levem o material à lixeira mais próxima. Na nossa primeira ação, ainda separamos o lixo e colocamos nas latas de coleta seletiva que existem na região dos Arcos”, pontua Lara.

O estudante de medicina veterinária, Luan Lima Loureiro, é um dos voluntários do projeto. “Acho inaceitável estarmos em pleno século XXI e observarmos tanto lixo nas praias ou em qualquer lugar, enquanto têm pessoas fazendo telhas ecológicas com tubo de pasta de dente vazias. O retrocesso é enorme, o regresso é grande”, observa.

Tempo decomposição — Foto: Arte/G1

Ele também faz um alerta para o comportamento dos banhistas que, de forma irresponsável, não pensam nas gerações futuras. “Daqui para 2050 vamos ter mais plástico no mar do que peixe. Na nossa primeira ação encontramos um filhote de tartaruga marinha morto em um copo plástico. Isso é inaceitável. São muitos animais que morrem por ano por causa da ignorância de algumas pessoas”, desabafa.

E diante das lutas, Luan não desanima. “Meu sentimento em relação a isso é de esperança, de saber que meu filho e meu neto vão encontrar um mundo que, por exemplo, a fauna marinha vai estar tranquila, assim como os outros animais”, completa.

Tartaruga foi encontrada dentro de um copo plástico em Aracaju — Foto: Movimento Praia Limpa

Fortalecimento


Desde que o movimento foi criado, muitas pessoas vêm se somando a iniciativa. Atualmente são cerca de 60 voluntários reunidos em um aplicativo de mensagens, fora outros 20, totalizando 80 pessoas envolvidas.

Um desses parceiros é o funcionário público e membro do ‘Coletivo Aracaju Lixo Zero’, Lázaro Sandro de Jesus, que conheceu o movimento através das redes sociais. Ele conta que inicialmente a participação foi apoiando o grupo.

“Emprestamos nosso material como saco de reutilização, coletes, luvas e apoio logístico. Essas ações são importantes para evitar que os resíduos plásticos acabem nos oceanos”, observa Lázaro.

O ‘Coletivo Aracaju Lixo Zero’ leva para o ‘Movimento Praia Limpa’ a experiência de cinco jovens formados em ‘Tecnologia e Saneamento Ambiental’, pelo Instituto Federal de Sergipe (IFS), que desde o mês de novembro busca engajar a população para a gradual redução do lixo além da reutilização do material reciclável e descarte correto.

Projeto de lei quer acabar com canudos plásticos — Foto: Ecosurf/Divulgação

Caça aos canudos


Neste sábado (22), o 'Movimento Praia Limpa' volta a se reunir para a limpeza da Praia da Atalaia. Os voluntários vão se encontrar às 16h nos Arcos da Orla, em Aracaju, e esperam reunir o mesmo número de voluntários da primeira edição.

Dessa vez, os jovens também vão atuar na conscientização do uso do canudo ecológico para retirar o de plástico de circulação. “Vamos fazer isso nos estabelecimentos, como restaurantes, e mostrar a solução. Não adianta reclamar e não mostrar uma solução para eles”, afirma.

A medida já é lei no Rio de Janeiro que, para ser aprovado, a defesa usou argumentos como o de que o material plástico leva em média 200 anos para se decompor no meio ambiente.

Em Santos (SP), a lei foi aprovada para que a partir de 2019 os canudos de plástico sejam proibidos em bares, restaurantes, hotéis e pensões. Para quem desobedecer a medida a multa pode variar entre R$ 500 e R$ 1 mil. A lei também prevê que para os canos alternativos [papel, metal ou vidro, por exemplo], a embalagem de papel ainda é uma obrigação.

O assunto também é discutido na esfera federal e tramita na Câmara dos Deputados. O projeto lei dispõe sobre a proibição da fabricação e comercialização de canudos plásticos descartáveis em todo território nacional e aguarda a apreciação do plenário.

A Organização das Nações Unidas (ONU) tem feito alertas para o consumo excessivo de plásticos e o destino deles na natureza. Em uma dessas declarações, a organização disse que “a cada ano são recolhidos do oceano 13 milhões de toneladas de plásticos". E que “se os padrões atuais de consumo continuarem, em 2030 a produção anual de plástico será de 619 milhões de toneladas em nível global".


Fonte: G1 Sergipe

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