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2 de junho de 2020

Anonymus: Conheça o grupo hacker que voltou à ativa contra Bolsonaro e Trump

Após um período de hiato, o grupo de hackers Anonymous voltou a dar as caras —isto é, as máscaras— na internet. De domingo (31) para segunda (1), após protestos pela morte de George Floyd, nos EUA, eles voltaram à ativa depois de um ano.

Imagem: Reprodução/Twitter

O grupo tornou público uma suposta ação judicial contra Donald Trump, presidente dos EUA, acusado de estupro, abuso sexual, violência física e outros crimes.

Também sugeriu que se investigue se o presidente do Brasil, Jair Bolsonaro, tem ligações com John Casablancas, empresário do mundo da moda que lançou Gisele Bündchen e outras top models. Ele morou no Rio de Janeiro entre 2003 e 2013, quando morreu aos 70 anos em decorrência de um câncer. O grupo não entrou em detalhes, nem explicou o motivo de tal sugestão.

Quem são?

O Anonymous é um coletivo descentralizado e sem líder que se formou em 2003. Qualquer pessoa pode se declarar um Anonymous sem ter que expor o próprio nome.


 Eles ficaram conhecidos por usarem a máscara de Guy Fawkes, personagem anarquista de "V de Vingança", história em quadrinhos criada por Alan Moore e que deu origem ao filme homônimo. Durante os protestos de junho de 2013 no Brasil, as máscaras eram um acessório recorrente entre os manifestantes.

O grupo se guia pelo hacktivismo, a ação hacker como forma de ativismo político e social. Mas nem sempre foi assim. No livro "Nós Somos Anonymous: Por dentro do mundo dos hackers", a autora Parmy Olson explica que as origens do grupo remontam ao fórum online 4chan, e que as ações eram como uma versão digital dos trotes telefônicos.

Tom Cruise na mira

Ator Tom Cruise - Imagem: Divulgação

A mudança começou em 2008, quando veio à tona uma entrevista de Tom Cruise para a Igreja da Cientologia, da qual o ator faz parte, e que eles não queriam publicar. No vídeo, ele fala sobre o que é ser cientologista e as diferenças para as pessoas "normais". As respostas de Cruise carecem de lógica e ele se tornou piada ao redor do mundo.

Patty Pieniadz, ex-seguidor cientologista que vazou vídeo, não sabia como subi-lo no YouTube. Enviou uma cópia a amigos que souberam fazer isso. Apesar dos cientologistas tentarem derrubar o vídeo, a entrevista ainda está na plataforma, com mais de 14 milhões de visualizações até a publicação deste texto.

Naquele ano, uma usuária do 4chan abriu um tópico sob o título "Scientology raid?", algo como "ataque à Cientologia?", incentivando 'hackear' ou 'derrubar' o site oficial da igreja. Em 15 de janeiro de 2008, começou a fase um, com um ataque DDoS, ou negação de serviço. A ideia é sobrecarregar o servidor até que ele saia do ar, e assim aconteceu com diversos sites da Igreja da Cientologia.

O ataque trouxe fama ao Anonymous. Conforme fala Olson, os motivos pela escolha da Cientologia como alvo eram a fama da igreja de processar e perseguir quem a critique. Em 26 de janeiro daquele ano, o grupo fez um protesto off-line na frente de uma Igreja da Cientologia em Nova York. "Leve uma máscara de sua escolha", dizia a mensagem, que terminava com o slogan do grupo. "Nós somos Anonymous. Nós somos Legião. Nós não perdoamos. Nós não esquecemos. Espere por nós".

Em defesa do Wikileaks

Julian Assange, fundador do Wikileaks Imagem: Reprodução/WikiLeaks

O Anonymous ficou fora do radar por um tempo, e ressurgiu em 2010 quando foram revelados centenas de milhares de documentos do governo do Estados Unidos pelo site Wikileaks. O editor, Julian 
Assange, fez parcerias com jornais como The Guardian e New York Times para divulgá-los. Em retaliação, o Wikileaks saiu do ar após ataque de um hacker ex-militar. 

Assange levou o site para os servidores da Amazon, que o excluiu sob a alegação de que ele violava as regras de privacidade da empresa. O Wikileaks era mantido no ar por doações, recebidas por sistemas de pagamento como PayPal, Visa e Mastercard.

Como retaliação, o Anonymous organizou um ataque bem sucedido ao blog do PayPal, também com DDoS. A diferença é que em vez de centenas de usuários derrubando o site, usaram botnets, redes de aparelhos conectados que podem realizar ações em massa. O grupo também tirou do ar os sites da MasterCard e da Visa por mais de doze horas no mesmo dia.


Jeffrey Epstein, morto na prisão em 2019 após acusação de tráfico sexual de menores Imagem: HO / New York State Sex Offender Registry / AFP


Currículo hacker

De 2010 até agora, o grupo orquestrou ações como: 

  • Derrubar sites dos governos da Tunísia e do Egito em 2011, durante a chamada Primavera Árabe 
  • Em 2012, atacou sites do governo americano e empresas de entretenimento, como a Universal Music Group, após o site Megaupload --usado para compartilhar pirataria-- ter sido tirado do ar 
  • Durante os protestos de junho de 2013, o braço Anonymous Brasil reivindicou a autoria da invasão ao Instagram da presidente Dilma Rousseff.
  • Em 2014, ano da Copa do Mundo no Brasil, derrubaram o site da Abin (Agência Brasileira de Inteligência Nacional).

O ressurgimento do Anonymous neste ano veio num contexto de agitação social. A mensagem postada no Twitter do grupo tenta explicar o que os documentos publicados têm a ver com o movimento Black Lives Matter.

"O que Epstein [Jeffrey Epstein, bilionário americano acusado de tráfico sexual de menores que foi encontrado morto na prisão em 2019] tem a ver com o Vidas Negras Importam? É um anúncio da impunidade dada àqueles no poder, que acreditam que nós somos propriedades que eles podem vender e destruir quando quiserem. A impunidade deles é o porquê que eles assassinam pessoas negras e traficam crianças. Nós todos podemos pará-los".

Matéria por: Daniel Dieb

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